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Direito & Consenso e Gestão Pública Inovadora: Dois Caminhos que se Encontram na Construção de uma Sociedade mais Justa e Colaborativa

  • Foto do escritor: Luciana Elmôr
    Luciana Elmôr
  • 24 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Por Luciana Elmor Gonçalves – advogada consensualista, mediadora judicial e docente em gestão pública


A experiência de mais de três décadas dedicadas ao universo jurídico e à gestão pública tem me mostrado que há um ponto de convergência poderoso entre esses dois campos: a crença de que o diálogo é a base de toda transformação sustentável.

No Direito, essa convicção se manifesta por meio da consensualidade — a mediação, a conciliação e a arbitragem como instrumentos capazes de restituir às pessoas o protagonismo na resolução de seus próprios conflitos. Na Gestão Pública, essa mesma filosofia se traduz em liderança humanizada, gestão participativa e inovação voltada ao bem comum, onde a escuta, a corresponsabilidade e a transparência substituem a verticalidade das decisões tradicionais.

Ambas as áreas, quando olhadas sob o prisma da colaboração, revelam um mesmo propósito: promover relações mais maduras, conscientes e produtivas — sejam elas jurídicas, institucionais ou humanas.

A ponte entre o Direito e a Gestão: da formalidade à cultura do diálogo

Durante anos, o Direito foi visto como um campo essencialmente reativo, destinado a resolver demandas após o surgimento do conflito. No entanto, o avanço dos métodos adequados de solução de controvérsias e a difusão da cultura da mediação têm provocado uma virada de paradigma: o foco deixa de ser o julgamento e passa a ser a construção conjunta de soluções.

Essa mudança de mentalidade encontra eco direto na gestão pública inovadora, especialmente quando falamos de governança participativa, gestão de equipes e políticas públicas orientadas por dados e empatia. O gestor público que adota uma postura dialógica atua como um verdadeiro mediador dentro de sua instituição: ele facilita conversas difíceis, equilibra interesses, constrói consensos e promove decisões mais legítimas e sustentáveis.

A intercessão, portanto, é evidente — e transformadora. A prática da consensualidade oferece aos gestores públicos instrumentos valiosos para a gestão de conflitos internos, o fortalecimento da cultura organizacional e a criação de ambientes de trabalho mais colaborativos e produtivos.

Consenso e Inovação: duas faces da mesma liderança

Tanto no Direito quanto na Gestão Pública, a inovação nasce de uma escolha: substituir o controle pela confiança.Liderar com base em diálogo e consenso é compreender que resultados sólidos derivam de relações saudáveis. Essa é a essência do que chamo de liderança humanizada — um modelo que une técnica, sensibilidade e propósito, capaz de gerar impacto positivo tanto na eficiência institucional quanto no bem-estar das pessoas.

O consenso, nesse contexto, não é sinônimo de unanimidade, mas de construção coletiva de entendimento. É o exercício da escuta, da empatia e da busca por soluções ganha-ganha — valores que, aplicados ao setor público, fortalecem a integridade, a inovação e a confiança social nas instituições.

Uma advocacia que dialoga com o futuro

Ao longo da minha trajetória, percebo que o futuro da advocacia e da gestão pública passa, inevitavelmente, pela mesma trilha: a humanização das relações e a corresponsabilidade nas decisões.O profissional do Direito que compreende a lógica da gestão inovadora se torna mais estratégico, mais capaz de atuar preventivamente e de enxergar o conflito como oportunidade de aprendizado e transformação.

Do mesmo modo, o gestor público que entende os fundamentos da consensualidade desenvolve maior capacidade de liderança, comunicação e negociação — atributos essenciais para enfrentar os desafios complexos das instituições contemporâneas.

Assim, “Direito & Consenso” e “Gestão Pública Inovadora” deixam de ser áreas apartadas e passam a representar dois eixos complementares de um mesmo propósito: transformar a realidade por meio do diálogo, da empatia e da inteligência coletiva.

O futuro é colaborativo e a intercessão entre o Direito e a Gestão Pública Inovadora é, na verdade, o retrato de um novo tempo.Um tempo em que a técnica jurídica e a sensibilidade humana caminham juntas.Em que a autoridade se constrói pela escuta.E em que o verdadeiro poder nasce do consenso.

Essa é a jornada que sigo trilhando — como advogada, mediadora, docente e pesquisadora — acreditando que a inovação institucional começa nas relações humanas e que a cultura do diálogo é o alicerce de uma sociedade verdadeiramente democrática e sustentável.



Luciana Elmor Gonçalves


Advogada Consensualista | Mediadora Judicial | Docente e Pesquisadora em Gestão Pública Inovadora






 
 
 

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